segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Cedências

Tenho que ceder partes de mim esquartejadas com brutalidade e que só Deus sabe a que preço. Dói-me muito! Mas a dor faz parte do crescimento, não é verdade? Impele-me a certeza e esta teimosia que sempre habitaram comigo. Umas vezes inquilinos mais presentes e outras mais ausentes. Mas que sempre se fizeram notar mais que não seja pela carta no marco do correio que me lembrava esporadicamente da sua existência. Mas dói! Tem sido um processo de construção, onde se retira um pedaço para, seguidamente, se acrescentarem dois. Sai-me das entranhas. Sai-me do corpo. Mas não da alma! Essa… continua assente em pilares que me abarcam e abraçam com uma força desmedida alimentada de amor. De família, de amigos, de amantes, de quem me quer bem. E quando oiço tocar. Ai quando oiço tocar e leio… Sei que estás! E eu não te consigo perdoar. Não te consigo mesmo perdoar!

Mesmo sabendo que deixaste o barco a baloiçar, enquanto tu seguras nos dois remos, esperando pacientemente que eu tenha, novamente, a ousadia de segurar no meu.

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